https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/19944| File | Description | Size | Format | |
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| dalilamariadesouza.pdf | PDF/A | 2.35 MB | Adobe PDF | ![]() View/Open |
| Type: | Tese |
| Title: | Nominalizações infinitivas e regressivas no português brasileiro: uma abordagem formal em interface com a perspectiva experimental |
| Author: | Souza, Dalila Maria de |
| First Advisor: | Armelin, Paula Roberta Gabbai |
| Co-Advisor: | Name, Maria Cristina Lobo |
| Referee Member: | Marcilese, Mercedes |
| Referee Member: | Scher, Ana Paula |
| Referee Member: | Pederneira, Isabella Lopes |
| Referee Member: | Minussi, Rafael Dias |
| Resumo: | Este trabalho investiga dois tipos de nominalização zero no português brasileiro (PB), as infinitivas (cantar – o cantar) e as regressivas (cantar – canto), articulando uma abordagem formal, baseada na Morfologia Distribuída (Halle; Marantz, 1993; Marantz, 1997), e uma perspectiva experimental. Partimos da hipótese de que as nominalizações zero são derivadas pelos mesmos mecanismos que licenciam as formas concatenativas, dispensando processos específicos como conversão morfológica ou derivação regressiva. No plano empírico, este estudo traz uma caracterização dos nominais infinitivos e regressivos em diálogo com tipologias clássicas. A partir da distinção de Chomsky (1970) entre nominais gerundivos, mistos e derivados, argumentamos que os infinitivos nominais do PB compartilham propriedades ora com os gerundivos, ora com os mistos, enquanto os nominais regressivos se aproximam dos derivados. Com base na tipologia de Grimshaw (1990) e, mais especificamente, a partir da reinterpretação de Borer (2014a), que distingue nominais de estrutura argumental (ASN) e nominais referenciais (RN), propomos que os infinitivos do PB se comportam como ASN, enquanto os regressivos são ambíguos entre ASN e RN e, em certos casos, apresentam um terceiro tipo híbrido, não previsto na tipologia de Borer (2014a), que combina simultaneamente propriedades de ASN e RN. Para complementar a discussão empírica, foi conduzido um estudo de corpus, com dados extraídos da Linguateca, a fim de mapear o funcionamento das nominalizações infinitivas em contextos reais de uso e delimitar suas propriedades específicas. Do ponto de vista formal, e seguindo Alexiadou, Iordächioaia e Schäfer (2011), propomos que as diferenças entre nominalizações infinitivas e regressivas decorrem da presença ou ausência de camadas funcionais em suas respectivas estruturas sintáticas. Mais especificamente, as nominalizações infinitivas, se comportam como ASN,e exibem as camadas verbais Asp, Voice e v, e, na porção nominal, os núcleos Class e D. Já os nominais regressivos que funcionam como ASN apresentam apenas v e Voice, enquanto os regressivos identificados como RN contêm somente o categorizador verbal como projeção estendida verbal. Um grupo intermediário, que combina propriedades de ASN e RN, é caracterizado por v sem propriedades selecionais e por um núcleo Voice que não hospeda argumento em seu especificador. Em todos os casos, a porção nominal dos regressivos se mantém uniforme com as camadas D, Number e Class. No campo experimental, investigamos o processamento dessas formações em duas frentes. O primeiro estudo desenvolvido foi uma maze task (leitura automonitorada), com as variáveis independentes (i) tipo de nominalização (infinitiva ou regressiva) e (ii) estrutura argumental da base verbal (inacusativa, inergativa e transitiva), e tomando como variáveis dependentes os tempos de reação e as escolhas-alvo. Embora se previsse tempos menores para os infinitivos, os resultados não apresentaram diferenças estatisticamente significativas. Em seguida, conduzimos um teste de aceitabilidade, através de uma escala de quatro níveis (1-2: maior estranhamento; 3-4: maior aceitabilidade). De modo geral, os nominais infinitivos com bases inacusativas apresentaram maior aceitabilidade do que as regressivas, confirmando a hipótese de que estas últimas constituem formações com lacunas. Já na condição transitiva, o tipo de nominalização não influenciou a aceitabilidade: tanto infinitivas quanto regressivas receberam predominantemente julgamentos de estranhamento (níveis 1 e 2 da escala), resultado que se relaciona, na nossa hipótese, à presença explícita da by-phrase, elemento não obrigatório nesse tipo de construção. Por fim, na condição inergativa, os dados revelaram um padrão de aceitabilidade mais equilibrado, o que pode ser entendido como uma possível evidência de uma diferença de estatuto entre o agente inserido pela preposição de das formas inergativas e o agente das formas transitivas, inserido via by-phrase. |
| Abstract: | This study investigates two types of zero nominalization in Brazilian Portuguese (BP), infinitival nominalizations (e.g., cantar – o cantar, ‘to sing – the singing’) and back formed nouns (e.g., cantar – canto, ‘to sing – song’), by combining a formal approach, grounded in Distributed Morphology (Halle & Marantz, 1993; Marantz, 1997), with an experimental perspective. Our starting hypothesis is that zero nominalizations are subject to the same syntactic mechanisms that licence concatenative forms, not requiring specific resources such as morphological conversion or a formal regression operation to derive these forms. Empirically, the study provides a detailed characterization of infinitival and back formed nominals in dialogue with classic typologies. Building on Chomsky’s (1970) distinction between gerundive, mixed, and derived nominals, we argue that BP infinitival nominals share properties both with gerundive and with mixed nominals, while back formed nouns pattern with derived nominals. Drawing further on Grimshaw’s (1990) typology and, more specifically, on Borer’s (2014a) reinterpretation distinguishing argument-structure nominals (ASN) and referential nominals (RN), we propose that BP infinitival nominals behave as ASN, whereas back formed nominals are ambiguous between ASN and RN and, in certain cases, instantiate a third, hybrid type not predicted in Borer’s (2014a) framework, combining properties of both ASN and RN. To complement this empirical discussion, a corpus study was carried out using data from Linguateca, allowing us to map the distribution of infinitival nominalizations in naturalistic contexts and to delimit their specific properties. From a formal perspective, following Alexiadou, Iordächioaia & Schäfer (2011), we argue that the differences between infinitival and back formed nominalizations are accounted for by the presence or absence of specific functional layers in their syntactic structures. Infinitival nominalizations that behave as ASN display the verbal layers Asp, Voice, and v, and in the nominal domain, the heads Class and D. Back formed nominals that pattern as ASN contain only v and Voice heads, while those identified as RN show merely the verbal categorizer as part of the extended verbal projection. An intermediate group – exhibiting both ASN and RN properties – is characterized by v lacking selectional features and by a Voice head with no argument in its specifier. In all cases, the nominal spine of back formed nominals is uniform, comprising the functional layers D, Number, and Class. On the experimental side, we investigated the processing of these formations through two complementary studies. First, we conducted a maze task (self-paced reading) manipulating two independent variables: (i) type of zero nominalization (infinitival vs. regressive) and (ii) argument-structure type of the verbal base (unaccusative, unergative, transitive), with reaction times and target choices as dependent variables. Although we predicted higher acceptability and shorter reaction times for infinitivals, the results revealed no statistically significant differences. Second, we ran an acceptability judgment task using a four-point scale (1–2 = higher strangeness; 3–4 = higher acceptability). Overall, infinitival nominals with unaccusative bases received higher acceptability ratings than their back formed counterparts, confirming the hypothesis that back formed nominals display gaps. In the transitive condition, the type of nominalization did not affect acceptability: both infinitival and back formed nouns were predominantly judged as odd (levels 1–2), a result we attribute to the explicit presence of the by-phrase, an element not obligatory in this type of construction. Finally, in the unergative condition, acceptability judgments were more balanced, which we interpret as possible evidence of a different status for the agent introduced by the preposition “de” in unergative nominalizations, as opposed to the agent of transitive nominalizations, which is introduced via a by-phrase. |
| Keywords: | Nominalização infinitiva Nominalização regressiva Estrutura argumental Morfologia distribuída Processamento Infinitive nominalization Back derivation Argument structure Distributed morphology Processing |
| CNPq: | CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA |
| Language: | por |
| Country: | Brasil |
| Publisher: | Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) |
| Institution Initials: | UFJF |
| Department: | Faculdade de Letras |
| Program: | Programa de Pós-graduação em Letras: Linguística |
| Access Type: | Acesso Aberto Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil |
| Creative Commons License: | http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/ |
| URI: | https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/19944 |
| Issue Date: | 13-Oct-2025 |
| Appears in Collections: | Doutorado em Linguística (Teses) |
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