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Type: Tese
Title: Desigualdades de gênero e raça na universidade pública: trajetórias, silêncios e resistências na carreira docente da UFJF
Author: Lopes, Flávia Valério
First Advisor: Arribas, Célia da Graça
Referee Member: Pinto, Renata de Almeida Bicalho
Referee Member: Candido, Marcia Rangel
Referee Member: Castro, Bárbara Geraldo de
Referee Member: Carlotto, Maria Caramez
Resumo: A ampliação da presença feminina no ensino superior brasileiro impactou nas transformações educacionais das últimas décadas, refletindo as mudanças nas dinâmicas de gênero na sociedade. No entanto, embora as mulheres sejam maioria entre graduadas, mestres e doutoras há mais de duas décadas, continuam sub-representadas na docência universitária e, sobretudo, nos cargos de maior prestígio. Esta tese analisa as desigualdades de gênero e raça na carreira docente da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), buscando compreender os fatores que sustentam essa assimetria. Os dados funcionais indicam que os homens ocupam 53,4% dos postos efetivos na UFJF, proporção próxima à média nacional (55%). Contudo, nas posições mais altas, a desigualdade se acentua: entre os professores titulares, dois terços são homens. O contraste entre a ampla qualificação feminina e sua baixa presença no topo da carreira revela um padrão em que critérios de mérito operam sobre bases desiguais. As barreiras observadas atravessam as dinâmicas cotidianas de trabalho e as relações de poder. As mulheres tendem a se concentrar nos estágios iniciais da carreira e em funções administrativas de menor reconhecimento, enquanto os espaços de decisão permanecem majoritariamente masculinos. Essa desigualdade se intensifica sob um olhar interseccional: a presença de mulheres negras é extremamente baixa, expressando a combinação entre sexismo e racismo no campo acadêmico. Outro fator identificado pela pesquisa é a divisão sexual do trabalho e a sobrecarga com tarefas de cuidado. As docentes, especialmente as mães, dedicam mais tempo às responsabilidades familiares, o que limita suas oportunidades de pesquisa, publicação e participação em redes científicas. Essa desigualdade é reforçada pela lógica da hiperprodutividade acadêmica e por práticas de violência simbólica e assédio que deslegitimam trajetórias femininas. Nesse sentido, este trabalho tem como propósito produzir um diagnóstico crítico das condições que sustentam e continuam perpetuando essas desigualdades, articulando gênero e raça como dimensões centrais para compreender a organização do espaço universitário. Ao considerar também os efeitos da divisão sexual do trabalho, da sobrecarga com o trabalho de cuidado e das práticas de violência simbólica e assédio, a pesquisa demonstra como o modelo acadêmico, tal como está posto, impacta a ascensão das mulheres, sobretudo das mulheres negras. O estudo foi desenvolvido por meio de métodos mistos (levantamento de dados, survey e entrevistas), o que permitiu combinar análise quantitativa e interpretação das experiências vividas. Os números revelam tendências, mas é nas falas das docentes que a realidade se impõe com maior força, evidenciando o impacto das desigualdades sobre as condições de trabalho, a saúde mental, a permanência e a ascensão na carreira. A tese revela que, mais do que corrigir desequilíbrios numéricos, o desafio está em transformar as práticas institucionais e culturais que sustentam essas assimetrias, promovendo uma universidade diversa, inclusiva e comprometida com a equidade de gênero e raça.
Abstract: The increased presence of women in Brazilian higher education has impacted educational transformations in recent decades, reflecting changes in gender dynamics in society. However, although women have been the majority among graduates, masters, and doctoral degree holders for over two decades, they remain underrepresented in university teaching and, above all, in the most prestigious positions. This thesis analyzes gender and racial inequalities in the teaching career at the Federal University of Juiz de Fora (UFJF), seeking to understand the factors that sustain this asymmetry. Functional data indicate that men occupy 53.4% of permanent positions at UFJF, a proportion close to the national average (55%). However, in the highest positions, the inequality is accentuated: among full professors, two-thirds are men. The contrast between the broad qualification of women and their low presence at the top of their careers reveals a pattern in which merit criteria operate on unequal bases. The observed barriers permeate the daily dynamics of work and power relations. Women tend to concentrate in the early stages of their careers and in less recognized administrative roles, while decision-making spaces remain predominantly male. This inequality intensifies under an intersectional perspective: the presence of Black women is extremely low, reflecting the combination of sexism and racism in academia. Another factor identified by the research is the sexual division of labor and the burden of caregiving tasks. Female professors, especially mothers, dedicate more time to family responsibilities, which limits their opportunities for research, publication, and participation in scientific networks. This inequality is reinforced by the logic of academic hyperproductivity and by practices of symbolic violence and harassment that delegitimize women's career paths. In this sense, this work aims to produce a critical diagnosis of the conditions that sustain and continue to perpetuate these inequalities, articulating gender and race as central dimensions for understanding the organization of university space. By also considering the effects of the sexual division of labor, the burden of caregiving work, and practices of symbolic violence and harassment, the research demonstrates how the academic model, as it stands, impacts the advancement of women, especially Black women. The study was developed using mixed methods (data collection, survey, and interviews), which allowed for a combination of quantitative analysis and interpretation of lived experiences. The numbers reveal trends, but it is in the teachers' accounts that reality imposes itself most forcefully, highlighting the impact of inequalities on working conditions, mental health, retention, and career advancement. The thesis reveals that, more than correcting numerical imbalances, the challenge lies in transforming the institutional and cultural practices that sustain these asymmetries, promoting a diverse, inclusive university committed to gender and racial equity.
Keywords: Desigualdade de gênero e raça
Docência universitária
Mulheres na ciência
Políticas institucionais
Gênero e ciência
Gender and racial inequality
University teaching
Women in science
Institutional policies
Gender and science
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
Language: por
Country: Brasil
Publisher: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Institution Initials: UFJF
Department: ICH – Instituto de Ciências Humanas
Program: Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais
Access Type: Acesso Aberto
Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil
Creative Commons License: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/19957
Issue Date: 25-Nov-2025
Appears in Collections:Doutorado em Ciências Sociais (Teses)



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