https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/19975| File | Description | Size | Format | |
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| clebergiliardrodriguesmiranda.pdf | 1.97 MB | Adobe PDF | View/Open |
| Type: | Dissertação |
| Title: | “Posso ir embora? Se eu ficar aqui vou chorar” masculinidade em debate nos grupos reflexivos para homens |
| Author: | Miranda, Cleber Giliard Rodrigues |
| First Advisor: | Arribas, Célia da Graça |
| Referee Member: | Jácome, Alexandre José Pinto Cadilhe de Assis |
| Referee Member: | Batista, Fabiano Eloy Atílio |
| Resumo: | Esta dissertação analisa como homens autores de violência de gênero constroem e performam suas masculinidades em contextos de responsabilização judicial, com foco nos Grupos Reflexivos previstos pela Lei Maria da Penha e regulamentados pela Lei nº 13.984/2020. A pesquisa foi realizada na cidade fictícia de Oyá, com 480 homens distribuídos em 40 grupos, conduzidos pela equipe da Associação Cultive a Paz (CAP), em parceria com o sistema de justiça local. Parte-se do pressuposto de que a masculinidade não é uma essência fixa, mas uma construção social e discursiva, atravessada por normas de poder e expectativas de gênero. Com base em autores como Judith Butler, Pierre Bourdieu, Raewyn Connell, Michel Foucault e Patricia Hill Collins, a abordagem qualitativa incluiu observação participante, análise de documentos institucionais e registros discursivos obtidos ao longo de treze encontros por grupo. O perfil dos participantes revela, em sua maioria, homens brancos, heterossexuais, de baixa escolaridade e renda, com histórico de violência familiar. Inicialmente, observa-se um padrão discursivo marcado por autovitimização, resistência à responsabilização e desconhecimento sobre o conceito ampliado de violência de gênero. Entretanto, ao longo dos encontros, emergem fissuras subjetivas: manifestações de vergonha, expressão de afetos e reconhecimento de comportamentos abusivos. Episódios como a frase ―posso ir embora? se eu ficar aqui vou chorar‖ tornam-se exemplares do tensionamento entre a performance da masculinidade hegemônica e a possibilidade de ruptura emocional. Os grupos utilizam ferramentas simbólicas como cartas reflexivas, rodas da vida, vídeos educativos e dinâmicas com perguntas para estimular a autorreflexão. Embora não garantam transformações definitivas, constituem espaços pedagógicos e políticos de deslocamento subjetivo. Conclui-se que a responsabilização pela via educativa é mais eficaz que a punição isolada, e que os homens devem ser compreendidos como sujeitos que exercem a violência, mas também como produtos de um sistema patriarcal que os atravessa. Ao propor uma escuta ética e crítica das masculinidades, esta dissertação contribui para o debate sobre políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero, apostando na potência transformadora da reflexão coletiva. |
| Abstract: | This dissertation analyzes how men who commit gender-based violence construct and perform their masculinities in contexts of judicial accountability, focusing on the Reflective Groups provided for by the Maria da Penha Law and regulated by Law No. 13,984/2020. The research was conducted in the fictional city of Oyá, with 480 men distributed across 40 groups, led by the team of the Association Cultive a Paz (CAP), in partnership with the local justice system. It is assumed that masculinity is not a fixed essence, but a social and discursive construction, permeated by power norms and gender expectations. Based on authors such as Judith Butler, Pierre Bourdieu, Raewyn Connell, Michel Foucault, and Patricia Hill Collins, the qualitative approach included participant observation, analysis of institutional documents, and discursive records obtained throughout thirteen meetings per group. The participants’ profile reveals mostly white, heterosexual men with low education and income levels, and a history of family violence. Initially, a discursive pattern marked by self-victimization, resistance to accountability, and lack of awareness about the broadened concept of gender-based violence is observed. However, throughout the meetings, subjective fissures emerge: manifestations of shame, expression of affection, and recognition of abusive behaviors. Episodes such as the phrase ―Can I leave? If I stay here I will cry‖ become emblematic of the tension between the performance of hegemonic masculinity and the possibility of emotional rupture. The groups use symbolic tools such as reflective letters, life wheels, educational videos, and dynamics with questions to stimulate self-reflection. Although they do not guarantee definitive transformations, they constitute pedagogical and political spaces for subjective displacement. It is concluded that accountability through educational means is more effective than isolated punishment, and that men should be understood as subjects who exercise violence but also as products of a patriarchal system that permeates them. By proposing an ethical and critical listening to masculinities, this dissertation contributes to the debate on public policies to confront gender-based violence, betting on the transformative power of collective reflection. |
| Keywords: | Masculinidades Violência de gênero Grupos reflexivos Performatividade Responsabilização Masculinities Gender-based violence Reflective groups Performativity Accountability |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS HUMANAS |
| Language: | por |
| Country: | Brasil |
| Publisher: | Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) |
| Institution Initials: | UFJF |
| Department: | ICH – Instituto de Ciências Humanas |
| Program: | Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais |
| Access Type: | Acesso Aberto Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil |
| Creative Commons License: | http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/ |
| URI: | https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/19975 |
| Issue Date: | 21-Jul-2025 |
| Appears in Collections: | Mestrado em Ciências Sociais (Dissertações) |
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