https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/19960| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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| Tipo: | Tese |
| Título: | O lugar vazio: a crise de imaginário da democracia moderna |
| Autor(es): | Lima, Ana Luiza da Rocha |
| Primeiro Orientador: | Silva, Felipe Maia Guimarães da |
| Membro da banca: | Magnelli, André |
| Membro da banca: | Faria, Alessandra Maia Terra de |
| Membro da banca: | Barboza Filho, Rubem |
| Membro da banca: | Paula, Christiane Jalles de |
| Resumo: | A tese parte da onipresença discursiva da crise para requalificá-la como operador semântico e simbólico, e não apenas como diagnóstico de disfunção institucional. Sustento que, na modernidade, a crise manifesta sobretudo uma desancoragem do vínculo simbólico que torna opaco o mundo comum; por isso, ela é também ocasião de ressimbolização. O argumento é desenvolvido em três movimentos. Primeiro, com Reinhart Koselleck, reconstruo a genealogia histórico-semântica de “crise” e sua passagem de episódio decisório, à condição estrutural da modernidade, articulando o descompasso entre experiência e expectativa, mas, acima de tudo, o ponto é a recomposição do conceito de crise de modo a pensa-la como momento de re(criação). Em seguida, com Cornelius Castoriadis e Charles Taylor (em diálogo com Benedict Anderson), o conceito de imaginário social é articulado em prol de uma crítica à pasteurização do pensamento criativo na concepção de mundos possíveis, bem como na capacidade de tais imaginários se difundirem em práticas sustentadas por valores morais compartilhados. Em Pierre Rosanvallon, a democracia é analisada como uma figura histórica e simbólica instável, cujas formas de legitimação, representação e presença do povo se transformam desde a Revolução Francesa até as configurações contemporâneas. Rosanvallon insiste que a democracia é uma história aberta, feita de experimentações, deslocamentos e recomposições de legitimidade, ainda que provisórias. A crise, nesse sentido, é um sinal do desgaste do acordo temporário que estabilizava imaginários, sentidos e práticas. Neste trabalho, afasta-se a compreensão da crise como acontecimento extraordinário ou excepcional, entendendo-a, antes, como um momento recorrente e estrutural de reflexividade social, no qual se tornam visíveis as tensões, indeterminações e disputas constitutivas da modernidade. É, também, oportunidade de uma reconfiguração simbólica original completamente nova, capaz de orientar, engajar e impulsionar uma ação coletiva comum. Ainda que não ofereça nenhuma garantia, o trabalho defende uma posição simbólica constitutiva e criativa da democracia, indeterminada e aberta a possibilidade de pensar mundos possíveis. |
| Abstract: | The thesis departs from the discursive omnipresence of crisis in order to requalify it as a semantic and symbolic operator, rather than merely as a diagnosis of institutional dysfunction. I argue that, in modernity, crisis primarily manifests a disanchoring of the symbolic bond that renders the common world opaque; for this reason, it is also an occasion for resymbolization. The argument unfolds in three movements. First, drawing on Reinhart Koselleck, I reconstruct the historical-semantic genealogy of “crisis” and its transition from a decisional episode to a structural condition of modernity, articulating the disjunction between experience and expectation. Above all, however, the aim is to recompose the concept of crisis so as to think of it as a moment of re-creation. Next, with Cornelius Castoriadis and Charles Taylor (in dialogue with Benedict Anderson), the concept of the social imaginary is mobilized in support of a critique of the pasteurization of creative thought in the conception of possible worlds, as well as in the capacity of such imaginaries to diffuse themselves through practices sustained by shared moral values. In Pierre Rosanvallon, democracy is analyzed as an unstable historical and symbolic figure, whose forms of legitimation, representation, and popular presence have been transformed from the French Revolution to contemporary configurations. Rosanvallon insists that democracy is an open history, constituted by experiments, displacements, and recompositions of legitimacy, even if only provisionally. Crisis, in this sense, signals the erosion of the temporary agreement that once stabilized imaginaries, meanings, and practices. In this work, the understanding of crisis as an extraordinary or exceptional event is set aside, and crisis is instead conceived as a recurring and structural moment of social reflexivity, in which the tensions, indeterminacies, and disputes constitutive of modernity become visible. It is also an opportunity for an original and genuinely new symbolic reconfiguration, capable of orienting, engaging, and propelling a shared collective action. Although it offers no guarantees, the thesis defends a constitutive and creative symbolic position of democracy, indeterminate and open to the possibility of imagining possible worlds. |
| Palavras-chave: | Crise Democracia Imaginário social Política Símbolos Crisis Democracy Social imaginary Politic Symbols |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS HUMANAS |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editor: | Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) |
| Sigla da Instituição: | UFJF |
| Departamento: | ICH – Instituto de Ciências Humanas |
| Programa: | Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil |
| Licenças Creative Commons: | http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/ |
| URI: | https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/19960 |
| Data do documento: | 29-Set-2025 |
| Aparece nas coleções: | Doutorado em Ciências Sociais (Teses) |
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